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segunda-feira, 21 de novembro de 2016


Usinas de Compostagem e de Reciclagem no Brasil
 
No Brasil o processo de compostagem, ainda, é bem tímido, assim com todo o sistema de reciclagem no contexto geral. Para se ter uma ideia, dados do IBGE, censo 2000, apresenta apenas 260 usinas de compostagem distribuídas pelo país, onde sua concentração se encontra nas regiões sul e sudeste, 117 unidades em cada região, informação está relevante, pois ajudar no entendimento das possíveis justificativas plausíveis para a ineficiência do setor. Se voltarmos nossa analise a tabela 1, acima, referente, anos 2000 e 2008, perceberemos que apesar do aumento na quantidade diária de RSU coletado não houve grandes avanços no setor, ao contrário, nota-se uma considerável queda na quantidade do material direcionado as unidades de compostagem. Os resíduos orgânicos, por não serem coletados separadamente, são encaminhados para destinação final juntos com os demais resíduos, gerando despesas que poderiam ser evitadas, caso fossem separados diretamente na fonte e encaminhados para uma unidade de tratamento específica, neste caso via compostagem.
De acordo com o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, versão prelimitar, publicação de 2011, do total estimado de resíduos orgânicos coletados, em 2008, (94.335,1 t/d) apenas 1,6% (1.509 t/d) tinham destinação adequada. Pontuando, ainda, que dos 5.564 munícipios brasileiros, na ocasião, somente 211 possuíam unidades de compostagem, onde os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul detinham a maior proporção, 78 e 66 unidades respectivamente. 
Na tabela (3), abaixo, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE)[1], podemos notar que o cenário, em 2012, não mudou muito a quantidade de matéria orgânica presente no total de RSU coletado no Brasil continuou crescendo e, neste caso, já se apresentando em proporção superior ao total de todos os demais componentes juntos, com 51,4%.
 
Tabela 3: Participação dos Principais Materiais no Total de RSU Coletado no Brasil em 2012
Material
Participação (%)
Quantidade (t/ano)
Metais
2,1
1.640.294
Papel, Papelão e Tetra Park
13,1
7.409.603
Plástico
13,5
7.635.851
Vidro
2,4
1.357.484
Matéria Orgânica
51,4
29.072.794
Outros
16,7
9.445.830
TOTAL
100
56.561.856
   Fontes: Pesquisa ABRELPE e Panorama 2011
 
Contudo, é importante pontuar, que o alto índice de desperdício da matéria orgânica não é gerado apenas pelo ato de consumismo da população, mas também em função da carente infraestrutura do país, no que diz respeito aos processos de importação e exportação, no que tange estadas, portos e armazéns, e do ato de comercialização destes produtos, em feiras e CEASA’s. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura - FAO, publicação de 2013, cerca de um terço dos alimentos produzidos para consumo humano é perdido ou desperdiçado, ou seja, aproximadamente, 1,3 bilhões de toneladas, o que totaliza 750 bilhões de dólares anuais. A FAO observa, ainda, que a maior parte das perdas de alimentos acontece nas fases de pós-produção, como colheita, transporte e armazenamento. E, segundo a organização, nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a perda vem em função da infraestrutura inadequada, enquanto que nos países desenvolvidos o problema ocorre durante as fases de comercialização e consumo.
Infelizmente, Já com relação a reciclagem, no cenário atual, podemos dizer que grandes avanços já foram conquistados, onde o principal deles veio com a aprovação da Lei Federal nº 12.305/10, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que responsabiliza cada segmento empresarial pelo ciclo de vida dos resíduos gerados de sua produção. Importante ressaltar, também, que ações positivas em prol da preservação do meio ambiente já fazem parte do cotidiano de pequenos grupos na sociedade, que ambientalmente conscientes, segregam seus resíduos pós-consumo, optando pela compostagem afim de reaproveitar os resíduos orgânicos produzidos diariamente, e doam os resíduos inorgânicos as cooperativas, aos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis, ou através de pontos de entrega voluntaria distribuídos em alguns shoppings centers.
 
No Brasil são quatro os setores industriais de reciclagem, alumínio, papel, plástico e vidro, que possuem considerável participação nas atividades. A tabela (4), abaixo, demonstra o progresso que estes setores vêm desempenhando anualmente. No caso do alumínio o destaque no índice refere-se as latas e no caso do plástico o destaque vai para as garrafas PET.
Tabela 4: Reciclagem de Alumínio, Papel, Plástico e Vidro de 2009 à 2012 (%)
 
ANO
ALUMÍNIO (latas)
 
PAPEL
 
VIDRO
 
PLÁSTICO (PET)
 
2012
97,9
-
-
58,9
2011
98,3
45,5
-
57,1
2010
97,6
44,0
-
55,8
2009
98,2
46,0
47,0
55,6
Fontes: Elaborado a partir da ABRELPE, (Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil, 2012), ABAL Associação Brasileira de Alumínio; BRACELPA Associação Brasileira de Celulose e PAPEL; ABIVIDRO Associação Brasileira da Indústria de Vidro; ABIPET Associação Brasileira da Indústria de PET
 
 
 


[1] ABRELPE - Associação civil sem fins lucrativos, que congrega e representa as empresas prestadoras de serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.
 
 

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