Usinas de Compostagem e de Reciclagem no
Brasil
No Brasil o processo
de compostagem, ainda, é bem tímido, assim com todo o sistema de reciclagem no
contexto geral. Para se ter uma ideia, dados do IBGE, censo 2000, apresenta
apenas 260 usinas de compostagem distribuídas pelo país, onde sua concentração se encontra nas regiões sul e
sudeste, 117 unidades em cada região, informação está relevante, pois ajudar no
entendimento das possíveis justificativas plausíveis para a ineficiência do
setor. Se voltarmos nossa analise a tabela 1, acima, referente, anos 2000 e
2008, perceberemos que apesar do aumento na quantidade diária de RSU coletado não
houve grandes avanços no setor, ao contrário, nota-se uma considerável queda na
quantidade do material direcionado as unidades de compostagem. Os resíduos
orgânicos, por não serem coletados separadamente, são encaminhados para
destinação final juntos com os demais resíduos, gerando despesas que poderiam
ser evitadas, caso fossem separados diretamente na fonte e encaminhados para
uma unidade de tratamento específica, neste caso via compostagem.
De acordo com o Plano Nacional de Resíduos Sólidos,
versão prelimitar, publicação de 2011, do total estimado de resíduos orgânicos
coletados, em 2008, (94.335,1 t/d) apenas 1,6% (1.509 t/d) tinham destinação adequada.
Pontuando, ainda, que dos 5.564 munícipios brasileiros, na ocasião, somente 211
possuíam unidades de compostagem, onde os estados de Minas Gerais e Rio Grande
do Sul detinham a maior proporção, 78 e 66 unidades respectivamente.
Na tabela (3), abaixo, da Associação Brasileira de
Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE)[1], podemos
notar que o cenário, em 2012, não mudou muito a quantidade de matéria orgânica
presente no total de RSU coletado no Brasil continuou crescendo e, neste caso,
já se apresentando em proporção superior ao total de todos os demais
componentes juntos, com 51,4%.
Tabela 3: Participação dos Principais Materiais no Total de RSU Coletado no Brasil
em 2012
|
Material
|
Participação (%)
|
Quantidade (t/ano)
|
|
Metais
|
2,1
|
1.640.294
|
|
Papel, Papelão e
Tetra Park
|
13,1
|
7.409.603
|
|
Plástico
|
13,5
|
7.635.851
|
|
Vidro
|
2,4
|
1.357.484
|
|
Matéria Orgânica
|
51,4
|
29.072.794
|
|
Outros
|
16,7
|
9.445.830
|
|
TOTAL
|
100
|
56.561.856
|
Fontes: Pesquisa
ABRELPE e Panorama 2011
Contudo,
é importante pontuar, que o alto índice de desperdício da matéria orgânica não
é gerado apenas pelo ato de consumismo da população, mas também em função da
carente infraestrutura do país, no que diz respeito aos processos de importação
e exportação, no que tange estadas, portos e armazéns, e do ato de comercialização
destes produtos, em feiras e CEASA’s. Segundo a Organização das Nações Unidas
para Alimentação e Agricultura - FAO, publicação de 2013, cerca de um terço dos
alimentos produzidos para consumo humano é perdido ou desperdiçado, ou seja,
aproximadamente, 1,3 bilhões de toneladas, o que totaliza 750 bilhões de
dólares anuais. A FAO observa, ainda, que a maior parte das perdas de alimentos
acontece nas fases de pós-produção, como colheita, transporte e armazenamento. E,
segundo a organização, nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a perda vem
em função da infraestrutura inadequada, enquanto que nos países desenvolvidos o
problema ocorre durante as fases de comercialização e consumo.
Infelizmente, Já com relação a reciclagem, no
cenário atual, podemos dizer que grandes avanços já foram conquistados, onde o
principal deles veio com a aprovação da Lei Federal nº 12.305/10, que instituiu
a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que responsabiliza cada segmento empresarial pelo ciclo
de vida dos resíduos gerados de sua produção.
Importante ressaltar, também, que ações positivas em prol da preservação do
meio ambiente já fazem parte do cotidiano de pequenos grupos na sociedade, que ambientalmente
conscientes, segregam seus resíduos pós-consumo, optando pela compostagem afim
de reaproveitar os resíduos orgânicos produzidos diariamente, e doam os
resíduos inorgânicos as cooperativas, aos catadores de materiais
reutilizáveis e recicláveis, ou através de pontos de entrega voluntaria
distribuídos em alguns shoppings centers.
No Brasil são
quatro os setores industriais de reciclagem, alumínio, papel, plástico e vidro,
que possuem considerável participação nas atividades. A tabela (4), abaixo,
demonstra o progresso que estes setores vêm desempenhando anualmente. No caso do alumínio o destaque no índice
refere-se as latas e no caso do plástico o destaque vai para as garrafas PET.
Tabela 4: Reciclagem de Alumínio, Papel, Plástico e Vidro de
2009 à 2012 (%)
|
ANO
|
ALUMÍNIO (latas)
|
PAPEL
|
VIDRO
|
PLÁSTICO (PET)
|
|
2012
|
97,9
|
-
|
-
|
58,9
|
|
2011
|
98,3
|
45,5
|
-
|
57,1
|
|
2010
|
97,6
|
44,0
|
-
|
55,8
|
|
2009
|
98,2
|
46,0
|
47,0
|
55,6
|
Fontes: Elaborado a partir da ABRELPE,
(Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil, 2012), ABAL Associação Brasileira de
Alumínio; BRACELPA Associação Brasileira de Celulose e PAPEL; ABIVIDRO Associação
Brasileira da Indústria de Vidro; ABIPET Associação Brasileira da Indústria de
PET
[1] ABRELPE - Associação civil sem fins lucrativos, que congrega e representa as
empresas prestadoras de serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos
sólidos.
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